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Instabilidade no Oriente Médio e o Aumento do Preço do Combustível


Nos últimos dias, tem sido possível observar a escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã. De forma ampla e imparcial, a Casa do Brasil Internacional buscará apresentar certos aspectos desse conflito e seus possíveis efeitos em curto e médio prazos. 


Tentar traçar um paralelo com os dois Choques do Petróleo, de 1973 e de 1979, e com a Guerra Irã-Iraque é possível; entretanto, como as peças deste novo cenário ainda estão em movimento, somente alguns resultados são ponderáveis. Em 1973, na Guerra do Yom Kippur ou Quarta Guerra Árabe-Israelense, a Coalizão Liderada por Egito e Síria ultrapassou as linhas de cessar fogo e, durante o feriado judaico do Dia do Perdão, invadiu ao norte as Colinas de Golan, famosas por seus pontos estratégicos e recursos hídricos, e ao sul a Península do Sinai em direção à Faixa de Gaza.


A Coalizão instituída pelo Mundo Árabe teve rápidos resultados, mas que não foram sustentados, de forma que a mobilização israelense, com auxílio tecnológico Norte-Americano, obteve sucesso em reverter o quadro e garantir a vitória de Jerusalém. A consequência imediata desse conflito foi o aumento em 400% do Barril de Petróleo pela OPEP, de 4 dólares para 12 dólares (a preços atuais, de 14 a 58). Em valores atuais, esse impacto é razoável, mas partindo da premissa que os Estados Unidos em 1971 tinham rompido com o Padrão Dólar-Ouro da Conferência de Bretton Woods, o impacto na economia global foi retumbante. O Brasil estava com grandes empréstimos internacionais diante do processo de crescimento da infraestrutura e, da noite para o dia, as dívidas cresceram em até 4 vezes. Esse impacto persistiu, somado com a segunda crise do petróleo, até os anos de 1990, tanto que alguns renomados autores afirmam que a década de 1980 é a Década Perdida.


Em 1979, com a Revolução Iraniana que promoveu a destituição do Xá Reza Pahlevi, o preço do barril do petróleo  novamente subiu, de 13 para 34 dólares (de 50 para 120 dólares a preços atuais), o que afundou ainda mais os países que estavam tentando se recuperar dos efeitos do Choque de 1973. Todavia o que mais agravou a situação foi que, de 1980 a 1988, Irã e Iraque entraram em um conflito com mais de 1 milhão de soldados mortos e centenas de campos de petróleo e de refinarias destruídos. A produção mundial de petróleo e de seus derivados declinou consideravelmente e a inflação gerada pelo aumento da demanda fez que a Argentina e outros países latino-americanos declarassem a moratória, o que resultou nos conhecidos Efeito Tango e Efeito Tequila da década de 1990. Sem contar a Guerra do Golfo em 1991.


Mal 2020 começou e já é possível observar que os primeiros passos da celeuma entre Irã e EUA podem ter efeitos nocivos: aumento da inflação gerada pela ainda alta demanda do petróleo; aumento da cotação do dólar; redução das importações brasileiras e crescimento das exportações; possível desabastecimento de alguns gêneros de consumo. A invasão da embaixada americana em Bagdad, a morte do General Soleimani e o ataque perpetrado pelo Irã às bases americanas nos países vizinhos já promovem sensível aumento no preço dos combustíveis no Brasil e no mundo. O estreito de Ormuz, entre Irã e Arábia Saudita, está sob alerta e os comandantes dos navios petroleiros estão temerosos pela passagem nessas águas turbulentas; a possível alternativa para o petróleo do proveniente da região que seria o Oleoduto Nabucodonosor, entre Iraque, Síria e Turquia para a Europa, ainda não é uma realidade. Contudo, o que mais deve ser temido é a retirada de Teerã do Acordo Nuclear de 2015 e uma possível entrada de novos players, o que poderia gerar um conflito armado a chegar com lançamentos de mísseis iranianos na Alemanha, Ucrânia e Áustria.


A política externa brasileira é reconhecida pela neutralidade diante dos conflitos no Oriente Médio e assim deve permanecer, ainda que o Governo Bolsonaro tenha emitido nota favorável ao Governo de Donald Trump. Assim como os Estados Unidos são históricos parceiros brasileiros, Teerã é o segundo maior comprador de milho nacional, quinto maior importador de soja e o sexto de carne bovina, o que resultou em um saldo positivo brasileiro desse comércio bilateral em dois bilhões de dólares.


A tradicional postura pragmática brasileira, buscando a conciliação dos interesses, como bem podemos lembrar no Acordo Nuclear de Redução Nuclear ao Irã, de 2010, proposto pelo então Chanceler Celso Amorim com apoio da Turquia de Recep Tayyip Erdoğan, será o timão e o leme dos próximos passos.


Desse modo, a Casa do Brasil Internacional busca, sob os parâmetros do pragmatismo ecumênico e responsável e pela conciliação mútua, apresentar seu posicionamento pela neutralidade e pela promoção dos diálogos entre os governos de Donald Trump e de Hassan Rouhani.


Casa do Brasil Internacional


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